sábado, 3 de outubro de 2015

2009





Olhando o calendário me veio à tona
Que muitos anos haviam se passado
E que a criança que havia em mim
Infelizmente já não existia mais

Ficou perdida pelo o tempo
Jogada em algum lugar
Em meio a estes tantos anos passados
E entre tantas páginas já viradas
Que nem sei dizer exatamente onde ficou

O que afirmo é que estou aqui: 2009
E olhando para tudo isto, após as lutas que já passei
Não digo que sou mais um sobrevivente
Mas, um alguém que perseverou com a vida
E vem prosseguindo superando obstáculos
Algumas vezes ao preço de lágrimas

E percebo que apesar de ainda ser eu
Em meio a todos estes obstáculos já vencidos
Perdi completamente a inocência
Que havia no coração daquela criança
Que caminhava no mundo tão cheia de sonhos
Trazendo nos lábios um sorriso tão sincero
Que emergia do mais íntimo do coração

Não é fácil admitir, mas em meio a todos estes anos
Estes sonhos também se encontram quase todos perdidos
E o coração que um dia foi honesto e puro
Hoje margeia entre a falsidade e a coerência
Para tentar manter as aparências entre tantas pessoas falsas
Que são como serpentes cheias de veneno
E para sobreviver em meio a um ambiente inóspito
Apenas se portando como um ser de um ambiente inóspito

Meu desejo era que hoje tudo isto fosse diferente
Mas... Estes foram os passos com os quais me embrenhei no futuro
E a direção que segui indo em direção a este futuro
E sempre quando eu olho para trás mirando de onde sai
Na areia vejo apenas as pegadas de um homem
De tão longe que ficaram os passos do menino
E por mais que se pense em fugir de tudo isto
A vida pede por soluções e não escapes
Exigindo valentia até para os covardes
Para jamais esmorecer e seguir firme adiante

Mas por fim, no decorrer de poucos anos
Um senhor de cabelos brancos tomará o lugar deste homem
E com mais sabedoria falará aos mais jovens
Sobre toda experiência adquirida durante sua vida

Sobre cada batalha já travada
Das batalhas ganhas
E das batalhas perdidas

E de cada obstáculo que deixou para trás

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Braços Abertos




Pessoas
Tesouros tão valiosos
E tantas jogadas
Como se fossem lixo

Desprezadas
Até por quem esteve tão próximo
Mas sempre viveu tão longe
Que hoje nem se importa mais

Por onde andam
Ou o que fazem
Se vagam com fome
Ou se tem o pão

O pão de cada dia
Que as vezes falta
E que chega a trazer lágrimas
No íntimo do coração

O desprezo e o descaso não estão tão longe assim
Não
De nenhum de nós

A medida em que a vida aparenta estar nos virando as costas
É a mesma medida em que os corações ao redor se endurecem
E justo num momento em que mais se precisa de ajuda

E então, um riso que se fazia se fecha
Uma mão que se estendia se encolhe
E olhares que de continuo se cruzavam
E que sempre se procuravam
Já evitam este cruzar no olhar

Trancando assim portas e janelas
Deixando pelas ruas vidas
Que se tivessem sido acolhidas
Seriam mãos estendidas a tantas outras mãos
Que estendidas pedem para serem acolhidas

Me diga, o quanto vale
Um par de olhos verdes
Em uma vida desprezada?

Cabelos louros
Em vidas que transitam na dor
Em desespero, sem amor?

Vagando pra lá e pra cá
Escondendo inúmeras lágrimas
Atrás de um triste sorriso
Que apenas revela um pouco da angustia
Que consome dia a dia o coração?

Quanto vale o tom de uma pele
Escravizada por um vício?
Ou confinada em uma doença
Que a definha a cada dia
E a desengana até mesmo em esperança?

Quanto será que valemos
Diante de uma situação extrema
Que desnuda nossa realidade
Nos mostrando toda nossa impotência?

Revelando que as mãos são frágeis sim
E que somos enganados pelos nossos pensamentos
Sendo tocados no mais intimo da alma
No momento em que nos achamos intocáveis

Digo de vidas
De pessoas
Que não são cotadas pelo que valem
Mas pelo que tem

Falo de vidas, de tantas peles
Escuras e claras, jogadas
Nos tantos porões espalhados pelo mundo
Destratadas e humilhadas
Aos olhos de quem uma vida não vale nada

Falo de vidas...
Tesouros jogados
Amontoados pelos cantos
Como se não fossem nada

Esquecidas, sem amor ou carinho
Ou um braço honesto estendido
Disposto a ajudar no resgate
Em cada uma de sua dignidade

Falo de vidas
Tão depreciadas e esquecidas
Ofuscadas em seu brilho
Empoeirando no descaso



Breve Comentário

Minha foto
Comecei com meus primeiros escritos por volta de 1988. Uma forma que encontrei para traduzir uma parte de meus pensamentos e sentimentos, pondo para fora assim algumas questões de meu coração. No decorrer dos anos, os pensamentos foram modelados e o coração domado, inserindo assim a cada sentimento e a cada pensamento um tom mais poético. Aproximadamente em 1999 comecei a trabalhar em uma história, que a partir de 2004 passei a chama-la de “Universo” devido à grande semelhança do universo com a mente humana. Ambos são infinitos e se conhece pouco sobre eles. Em 2008, 20 anos após meus primeiros versos, lancei na XX Bienal Internacional Do Livro De São Paulo a segunda parte da saga “Universo”, intitulada como Lais Stone. Neste blog procuro compartilhar um pouco do que escrevo, versos e pensamentos, e alguns registros em fotos. Obrigado pela visita, e seja bem-vindo a esta Galáxia.