domingo, 14 de fevereiro de 2016

Paranapiacaba Em Boas Recordações



           Fui frequentador assíduo de Paranápiacaba por aproximadamente 20 anos. Tempos bons que vivi e que hoje trago muitas recordações de momentos e de pessoas que conheci nas trilhas. 
           Perdi as contas das vezes que passei a noite na mata, observando a lua e um céu estrelado, ouvindo o barulho do rio correndo em sua busca pelo mar, algumas vezes em volta de uma fogueira conversando com o Cazuza ou com um grupinho que também se encontrava pelo local ao som de um violão que alguém tocava e cantava alguma musica enquanto tomávamos um "grau". 
          A pratica do camping hoje por lá é proibida, e o acesso às trilhas de Paranapiacaba são feitos apenas na companhia de um guia que cobra um preço nada camarada por "cabeça".
          Algumas vezes eu pegava a trilha à noite, uma escuridão tremenda, e eu naquelas trilhas só, com uma lanterna "Eveready" que usava duas pilhas grandes, e uma mochila nas costas com destino ao "Poço das Moças", desprezando completamente o perigo em troca da satisfação de estar ali. Uma das tarefas mais difíceis na caminhada noturna era a troca das pilhas da lanterna, pelo menos eu achava. Era uma outra aventura, ja que era necessário substituir as pilhas um pouco após passar pela pedra lisa devido a perda da eficiência da luminosidade. Quando estava com o Carlos, companheiro de  muitas caminhadas nestas trilhas a missão era bem  mais fácil, um clareava e o outro substituía as pilhas de sua lanterna, sozinho isto virava uma operação um tanto complicada. Certa vez após trocar as pilhas deixei a tampa da lanterna cair ao tentar fecha-la, e sem a tampa ela não ligava. Por uma favor de Deus ela caiu próximo de mim e mesmo estando eu em um ponto da trilha bastante íngreme ela não rolou ladeira abaixo. No desespero e sem enxergar nada me abaixei e passei a mão no chão, sem esperança nenhuma, mas encontrei rapidamente e fechando o compartimento das pilhas consegui ligar a lanterna . Posso afirmar que Deus existe porque tinha tudo para aquela tampa ter rolado morro abaixo e ter desaparecido tornando aquela noite literalmente um "programa de índio". 
           Gostava de parar na Pedra Lisa, e mesmo sem ver nada ao redor ficava ouvindo o barulho das águas em sua queda livre de mais de oitenta metros de altura. É algo indescritível e realmente difícil de se traduzir em palavras com tudo o que somos presenteados pela natureza, com a magnitude de cada estrela brilhando no céu e a canção da natureza que se faz a volta em cada centímetro do caminho.
           Não ignoro as lágrimas de muitos que tiveram a dor de perder um alguém querido no meio daquelas trilhas, e que não conseguem ver o brilho que menciono ao lugar. Nesta postagem, de certa forma procuro fazer uma homenagem a cada um deles, e deixando meus sinceros sentimentos a cada um dos familiares. Faço também uma breve menção a todos que um dia já colocaram os pés naquelas trilhas, e a todos que um dia irão fazer isto, recomendando antes de tudo muito cuidado e desejando desde já que hajam motivos de sobra para guardarem na mente boas recordações sobre o lugar.

           Fotos tiradas antes da popularização da câmera digital, em filmes de 36 poses junto com a torcida para que não queimasse nenhuma delas.
















































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Breve Comentário

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Comecei com meus primeiros escritos por volta de 1988. Uma forma que encontrei para traduzir uma parte de meus pensamentos e sentimentos, pondo para fora assim algumas questões de meu coração. No decorrer dos anos, os pensamentos foram modelados e o coração domado, inserindo assim a cada sentimento e a cada pensamento um tom mais poético. Aproximadamente em 1999 comecei a trabalhar em uma história, que a partir de 2004 passei a chama-la de “Universo” devido à grande semelhança do universo com a mente humana. Ambos são infinitos e se conhece pouco sobre eles. Em 2008, 20 anos após meus primeiros versos, lancei na XX Bienal Internacional Do Livro De São Paulo a segunda parte da saga “Universo”, intitulada como Lais Stone. Neste blog procuro compartilhar um pouco do que escrevo, versos e pensamentos, e alguns registros em fotos. Obrigado pela visita, e seja bem-vindo a esta Galáxia.