quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Ignorância






Entendo a imperfeição da vida  
Os nossos passos e constantes tropeços
Tudo o que faz de nós por mais da busca pela perfeição
Seres que vivem persistindo nos erros

Mas, em meio a tantos erros
O pior é o de viver a ofendermos
Em falatórios inúteis, desqualificando a tantos
E assim gerando combustível para o ódio queimar

E deste combustível queimado
Gerando muita fumaça a nos poluir
E a nos contaminar com mais ódio
Ao passo em que queima- se o combustível
E não se evita o inalar da fumaça

O que nos faz viver intoxicados
Em constantes falatórios
Sobre o que não sabemos
Com palavras inúteis 
Sobre a vida de tantas pessoas

Que vez por outra enfrentam dificuldades
E em nosso muito falar
Como se fossemos senhores da verdade
Ou juízes imaculados a julgar a vida
Revelamos no mais secreto de nosso coração
O desejo de que jamais saiam de lá

Entre as tantas lutas da vida
A principal é pelo saber
Saber  falar de forma positiva
Sobre a vida
Sobre as pessoas
E sobre muitas outras coisas

Para que as palavras não se tornem combustível
Que serve apenas para alimentar o ódio

Porque as pessoas muitas vezes
Numa extrema falta de entendimento
Não sabem o que falam perdendo o respeito
Vagando no vazio do próprio pensamento

Sem dar importância a cada palavra que proferem
E não tendo noção de um uso coerente das palavras
Soltam tudo o que pensam, tendo isto como uma qualidade
Tantas palavras pejorativas justificadas como sinceridade  

 E em tudo, o que é mais triste
Dificilmente se retratam dos absurdos que dizem


                                                    By Will Aflagal 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Paranapiacaba Em Boas Recordações



           Fui frequentador assíduo de Paranápiacaba por aproximadamente 20 anos. Tempos bons que vivi e que hoje trago muitas recordações de momentos e de pessoas que conheci nas trilhas. 
           Perdi as contas das vezes que passei a noite na mata, observando a lua e um céu estrelado, ouvindo o barulho do rio correndo em sua busca pelo mar, algumas vezes em volta de uma fogueira conversando com o Cazuza ou com um grupinho que também se encontrava pelo local ao som de um violão que alguém tocava e cantava alguma musica enquanto tomávamos um "grau". 
          A pratica do camping hoje por lá é proibida, e o acesso às trilhas de Paranapiacaba são feitos apenas na companhia de um guia que cobra um preço nada camarada por "cabeça".
          Algumas vezes eu pegava a trilha à noite, uma escuridão tremenda, e eu naquelas trilhas só, com uma lanterna "Eveready" que usava duas pilhas grandes, e uma mochila nas costas com destino ao "Poço das Moças", desprezando completamente o perigo em troca da satisfação de estar ali. Uma das tarefas mais difíceis na caminhada noturna era a troca das pilhas da lanterna, pelo menos eu achava. Era uma outra aventura, ja que era necessário substituir as pilhas um pouco após passar pela pedra lisa devido a perda da eficiência da luminosidade. Quando estava com o Carlos, companheiro de  muitas caminhadas nestas trilhas a missão era bem  mais fácil, um clareava e o outro substituía as pilhas de sua lanterna, sozinho isto virava uma operação um tanto complicada. Certa vez após trocar as pilhas deixei a tampa da lanterna cair ao tentar fecha-la, e sem a tampa ela não ligava. Por uma favor de Deus ela caiu próximo de mim e mesmo estando eu em um ponto da trilha bastante íngreme ela não rolou ladeira abaixo. No desespero e sem enxergar nada me abaixei e passei a mão no chão, sem esperança nenhuma, mas encontrei rapidamente e fechando o compartimento das pilhas consegui ligar a lanterna . Posso afirmar que Deus existe porque tinha tudo para aquela tampa ter rolado morro abaixo e ter desaparecido tornando aquela noite literalmente um "programa de índio". 
           Gostava de parar na Pedra Lisa, e mesmo sem ver nada ao redor ficava ouvindo o barulho das águas em sua queda livre de mais de oitenta metros de altura. É algo indescritível e realmente difícil de se traduzir em palavras com tudo o que somos presenteados pela natureza, com a magnitude de cada estrela brilhando no céu e a canção da natureza que se faz a volta em cada centímetro do caminho.
           Não ignoro as lágrimas de muitos que tiveram a dor de perder um alguém querido no meio daquelas trilhas, e que não conseguem ver o brilho que menciono ao lugar. Nesta postagem, de certa forma procuro fazer uma homenagem a cada um deles, e deixando meus sinceros sentimentos a cada um dos familiares. Faço também uma breve menção a todos que um dia já colocaram os pés naquelas trilhas, e a todos que um dia irão fazer isto, recomendando antes de tudo muito cuidado e desejando desde já que hajam motivos de sobra para guardarem na mente boas recordações sobre o lugar.

           Fotos tiradas antes da popularização da câmera digital, em filmes de 36 poses junto com a torcida para que não queimasse nenhuma delas.
















































Breve Comentário

Minha foto
Comecei com meus primeiros escritos por volta de 1988. Uma forma que encontrei para traduzir uma parte de meus pensamentos e sentimentos, pondo para fora assim algumas questões de meu coração. No decorrer dos anos, os pensamentos foram modelados e o coração domado, inserindo assim a cada sentimento e a cada pensamento um tom mais poético. Aproximadamente em 1999 comecei a trabalhar em uma história, que a partir de 2004 passei a chama-la de “Universo” devido à grande semelhança do universo com a mente humana. Ambos são infinitos e se conhece pouco sobre eles. Em 2008, 20 anos após meus primeiros versos, lancei na XX Bienal Internacional Do Livro De São Paulo a segunda parte da saga “Universo”, intitulada como Lais Stone. Neste blog procuro compartilhar um pouco do que escrevo, versos e pensamentos, e alguns registros em fotos. Obrigado pela visita, e seja bem-vindo a esta Galáxia.